Projetos de sistema-em-um-só-chip darão origem a dispositivos com vantagens impressionantes em design, duração de bateria e versatilidade.
Se o Windows 8 funcionar bem em sistemas equipados com processadores ARM, será questão de tempo até que tenhamos aparelhos finos, leves e inovadores no mercado. E serão desde laptops ultrafinos com baterias de longa duração até tablets superleves com grandes telas.
Os processadores ARM de 32 bits têm projeto relativamente simples em comparação com o dos chips da Intel. Esta simplicidade se traduz em menor consumo de energia, o que os torna ideais para uso em aparelhos nos quais a maximização da duração da bateria é um ponto crítico – leia-se celulares, tablets e, logo, logo, laptops.
O núcleo do processador pode ser licenciado a fabricantes de chips, que por sua vez o empacotam em processadores do tipo sistema-em-um-chip (system-on-a-chip) que incluem todos os componentes em um único chip. O núcleo ARM não é novo, mas tem sido usado tradicionalmente com sistemas embutidos ou com aparelhos portáteis que não rodam o Windows da Microsoft.
Mas isso está para mudar. E, quando ocorrer, poderá mudar a face da computação, como demonstrado pelos protótipos ARM demonstrados na conferência Build, da Microsoft.
A beleza dessas arquiteturas system-on-a-chip é que elas podem ser empregadas em espaços bastante reduzidos. Isso obviamente causa impacto nos projetos de gabinetes – eu vi, fora dos estandes, um tablet impressionante na conferência Build: superfino e super-robusto, o modelo pesava menos de 500 gramas e tinha uma tela de nove polegadas.
Energia
Economizar espaço é apenas um dos benefícios do ARM, que oferece outro igualmente importante: baixo consumo de energia.
“Não temos visto nenhuma restrição de formato de gabinete para os dispositivos com ARM”, diz Steve Horton, diretor de software e gerenciamento de produtos da Qualcomm. “O aspecto energia oferece múltiplos fatores de diferenciação – múltiplos dias de uso, a possibilidade de construir um aparelho superfino ou superleve.”
A economia potencial de energia do ARM é o motivo pelo qual fabricantes de chips afirmam considerar seu uso em designs do tipo concha, que imitam laptops. O ARM está nitidamente destinado para mais que celulares e tablets, áreas que já domina na forma de chips Qualcomm e Nvidia.
Mas, se o Windows 8 funcionar em sistemas equipados com processadores ARM, os consumidores poderão ver “laptops” com baterias que duram até 15 horas entre uma carga e outra.
É claro que, quando esses tablets tipo “concha” chegarem às lojas, será difícil diferenciá-los dos laptops ultraportáteis. Alguns rodarão em chips x86, como os da Intel e da AMD, e alguns sistemas baseados em ARM rodarão Windows 8 – mas eles podem não rodar o software que você já possui. Não é possível saber de antemão como a empresa vai lidar com isso, já que a Microsoft não forneceu muita informação durante o evento.
Se você se pergunta se será capaz de usar os aplicativos existentes para Windows em sistemas ARM, acredite: eu também fiz a mesma pergunta. Mas os fabricantes com os quais conversei trataram a questão de forma superficial. “Nós pensamos sobre isso. Não estamos muito preocupados”, disse Horton, da Qualcomm. “Pensamos que há muitas coisas boas prestes a surgir. O objetivo final é fazer com que a experiência de uso seja a mesma, fundamentalmente, do ponto de vista do Windows – e deverá ser a mesma.”
A Microsoft também foi vaga sobre o suporte, pelas máquinas ARM, a aplicativos herdados. Mas a empresa já demonstrou uma versão do Office que roda na nova interface Metro, em contraposição à versão tradicional para desktops.
Windows com ARM
Eu perguntei sobre como anda o processo de adaptação do Windows para ARM. Os executivos com quem conversei – de empresas como Nvidia, Qualcomm e Texas Instruments – indicaram que os trabalhos têm corrido de forma suave. Todos destacaram que precisam acrescentar suporte para gráficos DirectX (se é que já não o suportam) mas, além disso, o processo [de preparar um Windows para ARM] envolve principalmente a otimização do código para funcionar com a arquitetura do tipo system-on-a-chip.
“O trabalho tem sido conduzido há mais de um ano”, diz Deepu Talla, gerente-geral de computação móvel e sem fio da Texas Instruments. “A única coisa na qual eu diria que precisamos trabalhar é no desempenho gráfico. Nós precisamos aplicar mudanças em nosso motor gráfico para suportar DirectX. Em termos de silício, esta é a única diferença. E nós temos feito outras otimizações em software.”
Além disso, muitos dos recursos do ARM, um chip que domina os smartphones e tablets, permitirão que o Windows 8 ganhe funcionalidades de smartphone.
Como exemplo, Horton destaca a demo “Connected On”, ocorrida na conferência Build. O termo descreve um novo estado de energização que submete um sistema a um estado de menor consumo de energia sem deixá-lo hibernando; assim, você poderia sair dele imediatamente. Neste estado, os apps são suspensos, mas ainda podem atualizar conteúdo na retaguarda sem exigir muita energia. Este estado de suspensão vai funcionar até com a tecnologia 4G da Qualcomm, o que surpreende em face do apetite do 4G por bateria.
Há ainda uma pegadinha no projeto, e que terá claro impacto na forma como os aparelhos terão: a Microsoft tem pedido aos fabricantes de hardware uma tela com proporção 16:9 (porque é para ela que a interface Metro foi otimizada).
No fim das contas, Talla, da Texas Instruments, conclui que o foco da empresa é computação móvel.
“A questão aqui é desenvolver uma experiência de computação que dure o dia inteiro”, diz. Os outros fabricantes de chips ARM concordam com Talla – todos têm um objetivo de fazer com que um sistema opere de 12 a 15 horas sem recarga de bateria, seja um tablet ou um “laptop”.
Fonte: IDGNow!
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